O Prisioneiro

Vem isto a propósito dos vários Julien Assanje deste mundo que, por decisão própria ou decisão alheia se vêm privados de liberdade.

Lembro-me de um filme que vi há já tantos anos que nem sei dizer quantos que me impressionou especialmente pela mensagem que fazia passar de como é possível a um grupo ou a uma instituição manter um homem encerrado na mais severa e humilhante das prisões, obrigando-o a desempenhar os papéis que a sociedade de onde por punição o tinham retirado, e onde era muito apreciado pelos seus dotes de inteligência e comunicabilidade, se habituara a esperar dele, usando os seus dotes para as mais vis formas de mercantilismos.

No dito filme, creio que protagonizado por Gregory Peck, o homem era entregue aos cuidados de uma mulher que a instituição lhe colocara no caminho para ser sua guardian e, para que tudo decorresse com normalidade, o servisse em todas as suas necessidades e conseguisse meios de o fidelizar na relação.

Num apartamento em New York, objecto de infindáveis obras no intuito de o manterem sempre num estatuto provisório, vigiado por todos os meios de vigilância disponíveis e conduzido em belíssimas limousines de e para lugares onde o esperava sempre apertada vigilância, o homem era forçado a mostrar-se feliz, elogiar os inimigos, afastar-se dos amigos – dando-lhe a entender serem os amigos que se afastavam dele -, aceitar-se como autor de textos que nunca escrevera, um mundo cerrado e escuro onde não entrava uma réstea de liberdade. No meio de tudo isto ele era visto como um déspota rico e feliz mas isento de caracter e integridade. Era o exemplo útil e requerido que se esgotaria no cansaço até desaparecer de vez.

Todo o filme se passava num ambiente cinzento, condicionado até mesmo em momentos festivos a que aquela realidade construida obrigava.Mas o mais interessante era ver como ele, auxiliado por alguém que muito o amara, conseguiu desmascarar afoita e serenamente, com tempo e paciência, toda aquela matilha que o envolvia e romper a rede que, imitando poder, o aprisionava. O filme passava-se em duas grandes cidades: NY onde ele vivia o seu fadário e a Holanda onde se acumulava o espólio que haveria de o libertar.

Espero que Julien consiga, também ele, regressar à vida…

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