OCULTOS E PROTEGIDOS

Os cobardes têm sido a classe mais injustiça e negligenciada do mundo! E, contudo, eles constituem nas sociedades atuais, onde tudo propicia o secretismo das intenções e das estratégias para as concretizar, o motor dos acontecimentos e a génese das mais selectivas escolhas na colocação dos actores sócio/políticos certos para protagonizarem os fins que têm em mente.

Organismos humanos diferenciados, tudo neles trabalha para o alimento de um cérebro devotado a engendrar defesas para agressões que eles próprios inventam.

Um cobarde é um indivíduo – não uma pessoa! – com medo, o que o torna simultaneamente a mais perigosa e a mais cativante e subtil das individualidades, já que é da permanente consciência do que arrisca que resultam procedimentos e interacções sociais de cariz social suficientemente generoso e aparentemente heróico que impedem o aflorar das mais perversas e egocentristas intenções que escondem..

Nunca como hoje os meios foram tão favoráveis ao desenvolvimento desta espécie! As tecnologias disponíveis, para além de lhes propiciarem uma sub-reptícia existência e o mais conveniente anonimato, permitem-lhes dominar o tempo e o espaço, fazendo alastrar como uma nódoa de óleo as consequências das suas estratégias tanto no campo do bem como no do mal que as alimenta e lhes dá a desejável e aceitável forma para que se consolidem socialmente como acções geniais em benefício da mais incauta sociedade que, dispondo embora dos mesmos meios tecnológicos, se instala confiante e deslumbrada do lado do receptor e se congrega em movimentos de apoio à realidade que lhes é servida, seja por oportunismo, seja por ignorância.

Personalidades perversas, geralmente indolentes na execução – que remetem para os apoios que cuidadosa e incansavelmente amealham e amassam como muralhas  à sua volta – os cobardes têm desde muito cedo, genética ou culturalmente adquirida, vocação para não só cativarem e se fazerem insinuar a qualquer ser humano que com eles se cruze nos caminhos da vida como também para os registarem no campo de qualquer eventual utilidade. Só depois, com tempo, prudência e reunidos elementos suplementares, procedem à indispensável triagem.                                                                                                             Este cerrado investimento – nunca despiciendo e sempre apreciado por uma “entourage” deslumbrada ou pasmada que o adora ou detesta mas que jamais o tem como indiferente – apenas dá frutos, comestíveis ou venenosos, quando sobre a vida tão cuidadosamente controlada do cobarde desaba inesperado desaire que faça aflorar à tona de uma sociedade surpresa factos que, considerando-se imune, não estava preparada para neles acreditar e perante os quais, pelo seu sempre incondicional e cego apoio e envolvimento, se vê como potencial desmascarado cúmplice.                                                                                                                                 Os fulcros das diligências do cobarde – sempre muito sofridas e aflitivas porque nelas não pode caber a hipótese do insucesso – são em simultâneo os topos sociais que ajudaram a criar para serem vistos como elites, e as bases sôfregas e indefesas da sociedade, que constituem o terreno onde cultiva miraculosos actos de generosidade que transformam em motivo de grata admiração tudo o que de diabólico se esconde por detrás.

Numa época em que os meios de acesso e manejamento da informação constituem o maior dos poderes não há como fugir ou punir o uso deste ‘know how’ persistentemente aglomerado em que uma repulsiva massa servil se empenha em não deixar abrir brechas.      Em qualquer país dos ditos ‘civilizados’ – aqueles em que o progresso tecnológico ultrapassa o científico (evidente no caso da medicina ) e o desenvolvimento é apenas um conceito consignado convenientemente nas generosas promessas às sociedades contidas tão permanentemente quanto possível nas ‘vias do desenvolvimento – a ambição maior de um genial cobarde é ter acesso ao mais poderoso satélite capaz de comandar e condicionar a informação contida nas mensagens que os comuns mortais trocam entre si. Para ele nada é despiciendo!                                                                                                                                                    Isso o torna mais poderoso do que qualquer serviço secreto institucionalizado (de que também se serve…) devido a uma subtileza suportada pela ignorância que deseja socialmente generalizada, e do recurso a técnicas do foro psicológico que mascaram de ‘festa’, ‘alegria’, ‘felicidade virtual’ ou simples resignação o que, se não convenientemente tratado, poderia parecer inaceitável.

Hoje, em qualquer país, a infiltração na maior empresa de telecomunicações – como seria, se fosse o caso, a Portugal Telecom – vulgo PT – permite o controlo sub-reptício mais absoluto de qualquer vida por mais insignificante que seja o seu desempenho social. Qualquer psicopata vítima de uma qualquer obsessão  que alimente como tal, posta de parte a hipótese de se desfazer dela e, ‘pour cause’, conservando-a como alimento de alternados sentimentos de amor ou ódio, pode instalar-se na vida de qualquer um, bastando a proximidade geográfica para entrar no mais profundo da nossa intimidade, sem que o vejamos ou oiçamos, usando interpostos actores , sejam eles humanos ou canídeos,que suscitem o medo, a inquietação, o desassossego, tudo com vista à derrota final do visado… ainda que dessa derrota não resulte mais do que a satisfação da maldade que o corrói e que mitiga com orações , silícios, ‘boas obras’, e afadigados desempenhos sexuais.

Assim, mesmo ausente de um apartamento dito ‘desocupado’, só habitado às ocultas mas onde se desnrolam inconfessáveis perversões, é-lhe possível ‘habitá-lo’ de sons através das gravações de toques de chamada de telemóveis deixados por lá – sons de gaivotas, miar de gatos, gemidos de mulheres, sons de prazer ou de simulada aflição, arfar de alguém que faz sexo penosamente, puxar de autoclismos, o que for que alimente a ideia de que o apartamento por todos considerado vazio ou inabitável devido a obras está, para o visionário vizinho, ocupado. Para isso basta, seja de Ranholas ou de Pequin, fazer uma chamada para qualquer desses telemóveis . O toque de chamada durará o tempo estipulado e far-se-á ouvir sem que, obviamente, seja atendido.                                                                                                                                    Neste divertido jogo em que se envolvem sempre alguns comparsas de creditada confiança, o que pode fazer o vizinho/vitíma em quem, dadas as inimagináveis circunstãncias, ninguém acreditaria? Chamar a polícia  alegando ouvir barulhos vindos de um apartamento que os agentes constatariam estar vazio ou até inabitável, apenas levando à desejada conclusão de que o vizinho  estaria “tótó”  e deveria ser tratado? Queixar-se a amigos, familiares ou conhecidos, sendo tal inutil por carência de provas?                                A solução é apenas uma: ignorar os sons, habituar-se a acordar várias vezes durante a noite como quem tem uma criança ou um doente (é o caso…) para cuidar, e retomar o abençoado sono de quem nada tem a pesar-lhe na consciência.                                                     E esperar que Deus que, apesar do que o cobarde encantado sempre pensa, está acima e está atento, ponha um fim a isso.                                                                                                                                                               Pode bem ser que nem pó fique quer dos trabalhos de secretária, quer dos trabalhos de cama.

 

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