Para quê a Tv???

Agosto colou-me à televisão. Vi mais televisão neste mês do que alguma vez vi ou julguei ser capaz de ver.
Talvez porque – num país que vive contemplando as próprias cinzas entre o atear e apagar de chamas – habito no meio de um núcleo de sociedade que transpira o desespero de ter que se reinventar quotidianamente para sobreviver na ilusão de ser aquilo que pensou ter sido ou esperou ser,num sonho em que só as ‘coisas’ são reais e atrás das quais se esconde, se disfarça, se junta em cerimónias fúnebres e assembleias onde procura as referências sociais, políticas e de condescendentemente perdidos valores que lhe alimentem um sentido de pertença.

Dizia um velho e querido Amigo para quem a Educação ocupava lugar cimeiro nas prioridades de qualquer povo, que a Televisão podia ser a grande oportunidade de educar as populações em áreas que poderiam ir da higiene à grande história das religiões e das culturas.
Perdera-se, dizia ele, essa grande oportunidade com o Cinema, que rapidamente se tinha transformado num negócioa e, como aliás tudo o que nos chegava maioritariamente através dos States, o cinema servira essencialmente para ensinar à Euopa o alucinante”american way of life” e com ele o modo politicamente correto de descodificar os conflitos numa perspectiva ‘ocidental’.Um cinema que não podia nem queria correr riscos, em que filmes como ‘As Vinhas da ira’ eram não-gratos, em que a grandiosidade das produções e o clima festivo dos ambientes repelia por sombrias as mais conscientes e humanas produções europeias até que a próprio idioma em que se contextualizavam parecesse estranho aos ouvidos dos cinéfilos.
Era o cinema/divertimento, onde mesmo as seríssima mensagens de Chaplin eram lidas à superfície de uma gargalhada, ou um spaço onírico onde se viviam e sofriam romances de amor e ódio protagonizados por gente bonita.
Os filmes histórics eram – e são… – raros,numa graundiosidade que desviava intencionalmente o público para espaços e tempos oferecidoos como convenientes referências.

O cinema alemão anterior à Segunda Guerra Mundial, e especialmente o anterior à previsão da derrota da Alemanha, tendia no sentido da divulgação das belezas e fenómenos da Natureza, em belíssimos filmes de inigualável qualidade, ou eram documentários sobre a educação de uma juventude saudável de corpo a que a insanidade de Hitler quis imprimir abomináveis tendências. Corpos lindos e mentes esclarecidas que se perderam no jogo infernal da uma alma insensível que almejava identificar-se com a alma do próprio país e invadir o mundo..
Emigrados para os States, os cineastas alemães – tal como os grandes cientistas e arquitetos que alicerçariam o poderio americano – tornaram-se motor de uma economia baseada no lucro desde a sua génese. E aí o Cinema perdeu-se como portador autónomo de cultura e transmissor civilizacional. Os pouco mais de dois séculos americanos cobriram, com tecnica e dinamismo, uma amágama de povos que se foi impondo, numa espécie de síntese cultural doméstica, à multimilenar cronologia do mundo.

A Televisão portuguesa, que nos seus programas experimentais começou projectando documantários sobre temas científicos ou paisagísticos, passou rápidamente ao campo comercial que, com o tempo, a conduziria ao nada que é hoje.
Cedo se estudaram os programas de maior audiovisibilidade e, ‘last but not the least’, o que convinha dar a quem e onde, até chegar a ser esta televisão vendida que se vende.
E contudo, num pais de fraquíssimos recursos, a televisão poderia ter tudo para ser um inestimável veiculo cultural. Porém, todas as poucas tentativas neste sentido morreram pelo caminho do êxito.
Lembramos os belíssimos programas educativos para a Infância da Disney, os programas de Carl Sagan, belíssimos documentários históricos que complementariam com interesse e diálogoo qualquer aula de Históra.
Por questões que terão tido mais que ver com aspetos políticos e sindicais do que com as vantagens ou desvantagens do meio, a própria ‘TV Escola’ morreu cedo e maltratada por desinteressantes e mal concebidas aulas, num ensino que estava longe de, como seria de esperar, fomentar a aprendizagem e em que os métodos de avaliação nunca foram concebidos de modo a serem minimamente levados a sério..
Talvez por castigo de o ter conduzido à morte, também a televisão tal como o cinema se perdeu naquilo que de melhor poderia oferecer ao mundo, se tratado como veículo comunicacional culturalmente independente. ( o mesmo se está a passar agora com informática, nas suas imparáveis versões, caminhando no entanto para um pico de perigosdade que quer o Cineme quer a Televisão jamais tiveram…).

Raramente via televisão, aparte alguns canais noticiosos e um ou outro programa que sabia ser do meu agrado. Este Agosto fui um telespectador desorganizado. Tudo vi, comentei, barafustei, discuti como se houvesse interacção entre mim e o ecrã. E concluí que nada nos obriga a enfrentar a realidade que subjaz o mundo como a televisão!
Os países, tal como as pessoas, vivem – ou suportam viver…- em confronto com outros países e pessoas.Baralha-se-nos a cabeça entre os ‘nossos’ fogos nas aldeias ou ilhas e os grandes fogos na California que nos soldarizam pela inoperância que, aparentemente, nos iguala. Confundem-nos os crimees domésticos à mistura com os grandes crimes das grandes cidades, dos sofisticados crimes da Fox, de um crime horrível que aconteceu nos confins da China em que foram mortas duas pessoas..
O mundo aparece-nos no seu pior,sem medidas, intercalado com alienantes actividades desportivas – também elas nem sempre pacíficas…- e, raramente, com um ou outro apontamento sobre o nascimento de um kuala ou o amanhecer de uma montanha.

Entretanto morre-se como antes de haver qualquer tecnologia!

Novos e velhos vão escapando à existência levando como última imagem do mundo que abandonam algo que, por mais que abrilhantassem o quotadiano,cobria de névoa o mundo que conheceram e se foi esvaindo nestas novas formas de ‘conhecer’.
Decerto terão levado saudades da Vida e de tudo o que ela proporciona à Existência. Dificilmente terão levado saudades do mundo em que foram forçados a viver!

Já ninguém, a sós consigo, se interroga sobre a Essência da Vida!
Seria uma ‘aberração’ quando há tanto que fazer e tanta pressa em adquirir a fortuna e o poder que cá deixamos ao desbarato.
Vale a pena falar, fazer-se ouvir – em várias línguas porque a nossa vive a incerteza da reciclagem, o francês deixou há muito de ser a língua da cultura, , o inglês perdendo o seu lugar de língua de poderes vários, o alemão essencial na comunicação com o Leste, o chinês avançando sobre os carris gastos do mercantilismo ocidental – prometer, iludir, mexer sempre a pedra no sentido que se crê ser certo e com que se acaba perdendo.

É isto o saber que a vida serve!

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A curious concept of Democracy

No need to say that during the last decades the world has looked to the United States of America as the great defender of Democracy, a political idea that seems to occupy a main place in their planns to a better world. Defending the democratic ideal our friends spent and go on spending a lot in propaganda to explain its benefits as well as expending lots of dollars and lives of american soldiers to avoid any atempt against democracy wherever it happens.

Now, following the electoral process wich is going on at home we cannot help feeling a little surprised by the way a previous choice is in its way to be imposed to the americam people.

The game is not between republicans and democrats, as expected, and it can hardly be seen as an opportunity shared by people of both parties to choose freely their candidates. It seems Hillary is the only admissible choice not to be the best in whatsoever political aspect but because a certain America believes a Clinton is needed in the White House so that nothing changes in the image the States have projected to the world during the last century. A image that, like any other, can be seen from differentt prismas but whose importance all over the world cannot be denied.

What was wrong with Sanders that made his party to led him to give up for Hillary? Difficult, almost impossible, to understand by those who do not know the meanders of American politics and the interests that grew up along with the strong position the States occupy in the world, linked to economic choices that it seems to be almost impossible to stop or even to change.

Trump, the pragmatic and outspoken business man that decided to turn the page from an interventive America to an America focused in different economic solutions, seems to have forgoten the economic role the arms industry represents not only as investment but also and perhaps mainly as people employer.
Peace is a luxury that countries like Russia and the US cannot put up with!
Even more than the genuine patriotic proud american people feel for their role in international politics there is the unstoppable machine politicians and powerful institutions have built along decades to mantain it.
Trump can hardly think to become head of the Government even being, as he is, a very rich man having all the power money can give.

All this is easily understandable. More difficult is to understand WHY Hillary must be the one and only!
Seen from the outside we almost have pitty on her!. She is having all the support any candidate would like to have. Because she is a Clinton, because she is a women, because she made many friends in the right side of american politics, because she seems to have decided to be a stuburn candidate to whatever it is, and because she succeed in making Sanders to give up and to support her.
Everithing is prepared to make her the ‘ideal candidate’!
However it is clear that she does not feel at ease, that she is ‘gauche’ in that role, and it is difficult to know whether she is being used or she is being praised.