Durão, a Europa, o Mundo… e nós

Os problemas da Europa e, consequentemente dos países europeus espartilhados na estratégia europeista para salvaguardar os seus interesses perante os desafios  externos , têm essencialmente origem nos Estados Unidos da América e na fase de inquietude que estes vivem face aos sucessivos desenvolvimentos que começam a não ser controláveis.

A Europa – que sendo em termos civilizacionais um Continente é geograficamente uma península da grande extensão euro-asiática que engloba dois poderosíssimos países com recursos tecnológicos e financeiros não despiciendos ( a Russia é um potentado bélico e a China o maior credor dos States )  -, devedora do grande auxílio que recebeu dos States aquando das duas Grande Guerras que assolaram a Europa que, debaixo de fogo, se viu incapacitada de se auto abastecer de víveres, vestuário e, ‘last but not the least’, the armamento, teve nos States, mais do que o grande aliado que foi, um grandioso fornecedor de tudo o que ia deixando de ter – e com isso o maior impulso económico que a economia americana alguma vez houvera recebido – , recebeu após a Segunda Grade Guerra o preciosismo apoio do Plano Marshall que, diga-se, também não foi propriamente um peso nas finanças dos States já que, para além dos juros os países contemplados se comprometiam a abastecer-se de praticamente tudo no mercado dos Estados Unidos. Automóveis, frigoríficos, filmes. etc., etc., etc, tudo vinha dos States. Pois de onde poderia vir sem ser de lá, com as fábricas da Europa destruídas, a população masculina dizimada pela guerra, os maiores cientistas emigrados para lá onde criaram desde grandes complexos empresariais às maiores industrias cinematográficas que encheram o mundo com a beleza e o bem-estar do ‘american way of life’?

Os países do norte da Europa foram conseguindo de certo modo liberarem-se aos poucos do estilo americano. Mas, a começar pelos filmes, nunca, apesar das várias tentativas dos cinemas francês, italiano e alemão, conseguiram – ou conseguem…- chegar aos ecrãs dos países do Sul. A Lingua inglesa impôs-se definitivamente por essa altura para lá do império ‘onde o sol nunca se punha’.

Hoje, ouvindo Durão Barroso dizer que o mundo precisa de ‘uma grande potência’ – obviamente os States – pensei, na minha ignorância mas baseada em algumas ‘luzes’ que vou retirando das eleições americanas, que os tempos não estão sendo favoráveis aos States e que esse desespero se tem vindo a reflectir em alguns exageros da sua política externa e num aturado controlo sobre a formação de opinião nos países por eles considerados geograficamente estratégicos. Especializados em técnicas de marketing político, os States dominam de tal modo o pensamento – ou a ausência dele … – de certos povos de uma maneira admirável!

É um facto visivel em qualquer mapa que os países mediterranicos são não apenas mercados – alguns assaz insignificantes, como o nosso -, mas zonas de acesso ao interior do continente europeu onde, aliás por incúria da indolente Europa que delegou a capacidade de se defender, têm importantes meios terrestre e marítimos. Os países mediterrâneos – a Grã-Bretanha tem a seu cargo o Atlântico… – significam face à estratégia europeia o mesmo que a Coreia do Sul e o Japão assumem como barreira cuidadosamente mantida. No Médio Oriente tudo vai como se sabe. Daí não ser de estranhar que Durão Barroso contemple a possibilidade de uma ‘guerra total’. Será um desastre! Um sacrifício demasiado grande para salvar a economia americana que sempre floresceu entre a participação e alimento de conflitos externos! Isto porque desta vez nada garante a vitória! Se à força bélica e mercantil da Russia se juntar a riqueza demográfica e financeira da China, se as religiões que – aparte a católica que parece empenhada num processo de autofagia – se irmanarem pela Fé, sejam ortodoxos, outras inspirações cristãs ou outras religiões, o ‘puzzle’ do mundo, que mesmo agora já temos dificuldade em apreender, mudará drasticamente.

Os Estados Unidos da América do norte, como é compreensível, nunca viram com bons olhos uma Europa em que os interesses imanassem e convergissem para o interior de si própria. O ideal americano é a famosa ‘globalização’ para que detêm todos os meios e comunidades para controlar. Daí que a sobrevivência da UE seja uma tarefa dificil que os países mais fortes e com forte instinto de soberania se esforçam por manter, mesmo quando para ela entraram pela força de circunstâncias diversas, incautamente, ou por necessidade. A culpa não é da Alemanha, nem do Schaubel  mas das múltiplas infiltrações que contrariam o desenvolvimento da Europa, imbuída ainda da ideia de progresso que no pós-guerra a sub-civilização americana adicionou à Civilização europeia.

Acresce que, muito identificada com cultura, a civilização foi perdendo terreno face ao avanços tecnológicos – para quê ser ‘culto’ se podemos saber o que quer que seja ao segundo?- ao pragmatismo das especializações e à consequente competitividade gerada pelo pragmatismo resultante das crescentes taxas de desemprego.

A única verdade é que vivemos num mundo de mentiras e começa a ser difícil sobreviver sem elas porque chegámos a um ponto em que é na nossa crença nelas que reside aquilo que hoje é considerado como “felicidade”. Na verdade, para quê pensar????

 

 

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