O marketing que embala os povos

De todos os problemas com que este ‘team’ que agora se iniciou no governo de Portugal tem, sobressai o facto de ter  ‘má imprensa’ . Pode mesmo dizer-se que o bloqueio que lhe é feito descaradamente, como acontece quando adversários não têm tempo a perder e se esforçam por preencher todos os canais e vias comunicação escrita ou oral. Até mesmo naqueles fastidiosos  “Discurso Direto” – onde é suposto cada um dar a sua opinião sobre temas acerca dos quais não tem bases para ter opinião nenhuma – aparecem sempre uns ‘espontâneos’ preconizando catastróficas consequências para eventuais decisões que possam derivar de medidas que ainda estão sob reserva.

É de pasmar que um indefinido ‘centrão’ que, em várias versões, abocanhou o País durante cerca de quatro décadas tivesse na manga tão brilhantes alternativas não apenas para os seus desempenhos governativos como para  propor ao governo que agora vem tentando um outro tipo de ‘centro’, decerto menos inclinado para a direita (?) cavaquista e com um leve pendor esquerdista que, se por um lado lhe é essencial para manter a maioria parlamentar – já que foi para a encontrar que tiveram lugar as eleições, apesar dos ‘sound bites’ vitoriosos da coligação que, ao que parece, viu nelas o meio de eleger um primeiro-ministro com ou sem apoio parlamentar suficiente –  lhe (nos!) cria sérios problemas e dúvidas por que a esquerda, também ela digna da direita que temos, prefere a miséria à mínima cedência o que, diga-se, tem que ver com a sobrevivência das forças sindicalistas.

Em todo este enredo de conversações internas e externas e sob o atento escrutínio dos credores, a nossa ‘imagem’ internacional é frequentemente mencionada apenas, sem mínima contenção, quando os ‘ex’, sejam eles quais forem, se aliam a denegrir personalidades e decisões como se – apesar de sermos um pobre e pequeno país cujas novidades interessarão pouco ao grande mundo – esses comentários e notícias fossem apenas para os votantes portugueses.

Em tudo isto a alvo preferencial das críticas é a União Europeia – para onde nunca deveríamos ter entrado sem consulta prévia e, ainda menos, sem termos primeiro criado condições económicas que nos permitissem uma certa paridade em vez do estender de mãos à caridade a que nos sujeitaram e a que nos habituámos  – esquecidos de que estamos, tal como outros países com situações geograficamente ‘interessantes, no meio de uma guerra de mercados entre a Europa e os Estados Unidos que, sendo desde há muito a nação mais endividada do mundo, sobrevive farta e orgulhosamente à custa das múltiplas guerras que paciente e estrategicamente vai alimentando ou partilhando em outros continentes.

Os Estados Unidos são, na sua muito própria visão do mundo, um Continente!

” God save America e, como dizia uma canção que fez êxito na década de quarenta ,”South America, take it away!”.

A pátria de um americano – e um americano tem, comparativamente com as famílias de outros continentes, pouco mais de vinte gerações a antecede-lo e mesmo essas de inumerável pluralidade étnica – é o Estado em que reside, mesmo mais do que o estado em que nasceu. A Nação americana é essencialmente o símbolo que propícia as relações externas  importantes quer no âmbito político, quer no subsequente âmbito mercantil internacional.

Daí que, não havendo dúvida de qualquer espécie quanto ao peso da União Europeia no nosso espaço político, há que ter em conta que as diatribes e influências de vária ordem que  os States têm nos pequenos países europeus é tudo menos despicienda. Com o alto nível tecnológico de que dispõem e a grande e especializada técnica de marketing político que atingiram, os States mobilizam, ainda que com o mínimo de visibilidade, a capacidade de orientar os povos de qualquer nação no sentido que por uma ou outra razão lhes possa ser mais conveniente. Sabem como cativar as cidades e atrair as mais recônditas aldeias no sentido desejável sem que ninguém dê pela presença deles porque, tal como se sabe ‘o meio é a mensagem’. E a presença deles reside nos meios.

Por algum motivo, estando eu em Atenas no ano em que a Grécia entrou para a União Europeia – mercado que os States nunca viram com bons olhos…- o maior edifício no centro de Atenas era pertença da Fulbright, a mais prestigiada e cobiçada instituição americana de atribuição de bolsas e outros pequenos favores, cujo plackard luminoso percorria o edifício de alto abaixo em letras gigantes.

Já que a UE insiste em existir, uma Europa federada facilitaria muito as pretensões da Federação dos Estados Americanos, cada um defendendo os seus próprios interesses à lei da bala mas necessitando que alguém os encabece a nível internacional. Será Trump????

 

 

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