TALVEZ UMA NOVA FILOSOFIA…

As actuais gerações estão a por-se questões que são na verdade vitais para a nossa sobrevivência. Não como ‘civilização’ – somos uma entre várias que aconteceu expandir-se através tanto de meios materiais como espirituais -, não como ‘humanidade’ porque esse é um domínio do sagrado e adquire as expressões com que Deus a configura, não como a Natureza que contem na sua essência meios de reabilitação que ignoramos e que lhe têm permitido persistir há incalculáveis milhões de anos. Trata-se antes do modo como os homens convivem com o meio e com a universalidade que o caracteriza.

Com o progresso que se seguiu à Segunda Grande Guerra prestes a atingir o ponto de saturação – pelos inconvenientes experiências que trouxe consigo e que são essencialmente norteados pelo sucesso, numa indiferença cega pelos desastres que causa- entrámos na fase de desenvolvimento que fatalmente teria que se lhe seguir, não só para o justificar como para ser fonte de uma nova criatividade que evidenciasse que os homens são superiores aos robots e que sem os primeiros os segundos não fazem qualquer sentido. E o mundo move-se hoje, embora lentamente,no sentido de criar o modo de divulgar e aplicar tudo o que as ciências criaram na estrada do progresso.

Talvez que a primeira relação que os homens devam rever é a sua relação com Deus, já que, como me dizia hoje um pedinte sentado nos degraus de uma igreja de Lisboa. ‘sem Deus não somos nada’. É certo que este ‘nada’ pode ser sujeito a várias interpretações. Mas uma coisa parece certa: a relação de Deus com os homens é do domínio da Essência. Daí que a relação com Deus persista mesmo quando o homem pensa ou sente – o que é infinitamente dramático – tê-la cortado. Essa relação, hoje mais disseminada do que nunca pelo fortalecimento de campos magnéticos que, pela sua virtualidade, nos unem muito para lá das nossos convívios comunitários e se comece a suspeitar haver muito mais verdade nessa ‘second life’ do que num quotidiano que mente,  mascarado de todas as vestes e palavras. Justificar-se-á a existência de um ‘porta voz’ comunitário que faça nossas perante Deus as palavras do seu oficio? Algumas religiões, embora de modos assaz desastrados, estão provando que não e levam ao limite as suas convicções.

Ligados às religiões aparecem preconceitos morais que de pre-conceitos nunca passaram. A moral vitoriana talvez seja a que define com mais verdade a duplicidade entre os vícios privados e as públicas virtudes a que ‘noblesse oblige’. Nada, para lá das rejeições comportamentais dos Mandamentos que norteiam o comportamento judaico-cristão nos permite afirmar qual é a atitude eticamente correta perante cada facto, Até mesmo porque tal não existe! Os factos têm uma vida própria com tempos e espaços que lhes são inerentes. São sementes de sentires e não assentadores de normas.

As sociedades actuais socorrem-se de nominalismos – como ‘amor’, ‘felicidade’, solidariedade’, e um cada vez mais grandioso léxico com que se glorificam as mensagens online – a que atribuem os mais variados e indefinidos conteúdos, com o único propósito de confirmar a sanidade mental que os emissores se atribuem a si próprios. Trata-se de uma espécie de masturbação mental que tem a secreta missão de os manter vivos.

Também a relação com o Estado é urgente que seja revista. Nada justifica que uma sociedade que tem meios de que qualquer sociedade anterior jamais dispôs para fazer face à exigente missão de administrar um País continue a fazê-lo subordinada a dissertações teóricas de tempos em  tudo dissemelhantes dos actuais. Para além de um imenso desperdício de potencialidades acumula um quantitativo desnecessário de despesas e cria sentimentos negativos em sociedades que tudo aponta deverem unir-se para um mesmo fim. Á Política há que contrapor a capacidade administrativa que permite a executiva distribuição racional dos recursos e uma Justiça que sem ser desumana seja cega quanto a parcialidade de decisões.

Tudo aponta para a necessidade de um poder administrativo que dê as linhas mestras pelas quais se devem orientar os poderes executivos. A dispersão – seja ideológica, seja de grupo – é tão ou mais inimiga da coesão social que a pior das imposições ditatoriais. É nela que reside o que será talvez o mais complexo problema da distribuição de armas nos Estados Unidos. Querer o mesmo para a Europa é uma forma de terrorismo inaceitável, embora tudo pareça encaminhar-se para tal, caso os Britânicos – contando justificadamente mais com os States do que com a Europa em caso de conflito mundial – não provem com o seu persistente isolamento que o patriotismo é e será sempre um valor, e sê-lo-á acima de tudo quando se sentir a falta dele, não como uma questão de soberania mas pelo arreigado peso da História que conforma cada Povo.

Apesar de não ser tido tanto em conta, o urbanismo será talvez a mais complexa questão social com que uma sociedade sequiosa de ascensão alastra e trepa indiscriminadamente pelas cidades, incolor, incaracterística, em que as marcas das cozinhas competem ou visam condizer com as marcas dos automóveis que são, nesta ainda desorientada sociedade, os valores que a orientam.

Algo me diz que os nossos netos renegarão tudo isto como ‘pastiche’, e os actuais Woodstock’s de interior darão lugar a músicas como as de Joan Baez, a encontros – que não convívios! – atmosféricos, em que a verdadeira Paz e o verdadeiro Amor brotem sem necessidade de estimulantes ou calmantes, alimentados pelo calor afectivo de quem tudo dá e nada espera a não ser a limpidez da imensa ternura dos olhares.

 

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s