A VULNERABILIDADE DA EUROPA

A Europa, a grande Europa dos imperadores, dos matrimónios reais, das lutas dinásticas que faziam, desfaziam e refaziam fronteiras, a Europa de Ótão, Clóvis, Carlos Magno, do Sacro Império, começou o seu declínio como potência civilizacional com o advento da revolução francesa que, justamente, pretendeu dar aos cidadãos o poder de decidirem sobre as suas liberdades colectivas e individuais. Passados quase três séculos só a História tem autoridade para se debruçar sobre o êxito de tão justa pretensão e suas consequências.

É certo que os teóricos da revolução francesa – existe essa ‘virtualidade’ em todas as revoluções…- usaram como campo experimental a então colónia britânica que veio a ser, após o incentivo por parte da França à sua libertação, a grande e admirável federação de estados que é a grande Nação Norte-Americana. Facto que, como é óbvio, terá causado grande mal estar à potência colonizadora…
A ligação, frequentemente conflituosa, que unia intermitentemente ‘a Ilha’ ao continente e era lugar onde se degladiavam as tribos do Norte e os valores continentais, nunca fez da Inglaterra um país europeu. A Inglaterra escolheu sempre caminhos próprios que, não a distanciando da civilização e cultura europeias a que deu considerável contributo, a não desviassem dos seus interesses e do pragmatismo que sempre a caracterizou.
No século passado, o eclodir das duas grandes guerras, e as circunstâncias ideológicas que as caracterizaram, inverteram, especialmente através da forte ligação que veio a persistir entre os EUA e a Inglaterra, os papéis.
Os EUA vieram em auxílio dos Aliados contra as prepotências bélicas do Eixo e com isso, e com a importante e qualificada emigração que acolheram e lhes conferiu um lugar soberano no progresso mundial, os Sates ganharam uma merecida supremacia em relação à envelhecida e materialmente arruinada Europa.
Esta irreversível situação – os Estados Unidos são ‘um mundo’ em relação ao continente europeu por mais que se valorize o seu valor civilizacional – criou, contudo, obrigações e fidelidades que, embora zelem pela segurança do continente europeu, têm arrastado a Europa para conflitos de imprevisiveis consequências.
Tudo isto para dizer que aquilo a que assistimos hoje na Europa, a confluência massiva de multidões de pessoas originárias dos países do Oriente Médio – onde, em nome da vitória dos ideais democráticos, se deu lugar a intermináveis, sangrentas e destruidoras guerras – que fazendo parte dos vencidos, seja religiosa, seja politicamente,se vêm constrangidos a abandonar as suas terras de origem e a procurar asilo nos portos mais acessíveis a partir dos quais inundam a Europa que, surpreendida e sem meios para lhes dar o devido acolhimento, vê aumentadas as suas fragilidades.
É óbvio que todas essas pessoas trazem, humanamente, a revolta no peito e não se esquecem das responsabilidades assumidas pela Europa, só ou conjuntamente e com notável dose de ignorância, na resolução de problemas culturais sociais e políticos que resolviam há milénios e que só a eles diziam respeito. Tal como sabem que por detrás das veiculadas intenções estão grandes ganâncias económicas.
Com a grande América longe e dado que a Grã-Bretanha é uma ilha bem protegida, o continente europeu foi e é o lugar possível.
Com as consequências que estão à vista, e as que se avizinham se algo não vier dar outro rumo à situação, a Europa será mais uma civilização perdida.

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